TAYLOR, F. W. Princípios da administração científica. 8. Ed. São Paulo: Atlas, 1990.
DADOS DO AUTOR
O engenheiro americano Frederick Winslow Taylor, nascido na Filadélfia em 20 de Março de 1856 foi educado dentro de uma mentalidade de disciplina, devoção ao trabalho e poupança; éconsiderado o pai da administração científica. O fato mais marcante da vida de Taylor foi o livro que publicou em 1911 "Princípios de Administração Científica", mas em 1903 ele publicou o livro “Administração de Oficinas” onde expôs pela primeira vez suas teorias. Inicialmente técnico em mecânica e operário, formou-se engenheiro mecânico aos 21 anos pelo Stevens Institute of Technology, de New Jersey, estudando à noite. O principal foco dos seus estudos era a eficiência e eficácia operacional na administração industrial. Frederick Taylor morreu em 1915 aos 59 anos de idade, vitimado por uma gripe.
RESUMO
Taylor inicia sua obra fazendo referência e mistério acerca de certo “problema mais amplo da eficiência nacional” citado pelo presidente norte-americano Teodoro Roosevelt. Logo se percebe que esse problema tem haver com o desperdício que é causado em virtudes das ações humanas mal dirigidas e ineficientes; o que impede a maior eficiência nacional. Ao considerar a busca intensa por homens competentes, o autor observa que não basta buscar homens competentes já formados. E declara que só sem entrara no caminho da eficiência nacional quando se investir sistematicamente na formação de pessoas competentes. Considerando que no futuro o sistema, e não o homem, estará em primeiro lugar; o autor observa que ainda mais é necessário o treinamento e o aperfeiçoamento: “o melhor homem atingirá o mais alto posto, de modo mais seguro e mais rápido”.
Assegurar o máximo de prosperidade ao patrão e, ao mesmo tempo, o máximo de prosperidade ao empregado é, para Taylor, o principal objetivo da administração. E ele explica que o máximo de prosperidade envolve valores outros além do dinheiro e que os interesses de empregadores e empregados não são tão antagônicos como muitos querem acreditar e, partindo do pressuposto inegável que “o indivíduo atinge sua maior prosperidade... quando alcança seu mais alto grau de eficiência”, conclui que o objetivo de trabalhador e administração deve ser a formação e o aperfeiçoamento do pessoal da empresa. Em seguida o autor analisa as causas do que ele denomina “vadiagem no trabalho”; isto é, o hábito de trabalhar vagarosamente. Tal hábito teria duas causas principais que seriam a indolência natural e a indolência sistemática, sendo esta a que o autor considera a mais nociva para o ambiente de trabalho. Taylor considera esse assunto de tão grande importância que alonga sua discussão analisando as três causas principais da vadiagem no trabalho defendendo que: os líderes devem esforçar para desfazer o engano de que um trabalho de alto-rendimento tira o emprego de outros, os administradores devem conhecer a dinâmica de cada atividade do trabalho e acabar com a indolência natural e a vadiagem premeditada (1) remunerando por produtividade, (2) dispensando os improdutivos e (3) admitindo novos funcionários cuidadosamente selecionados. Além disso, é dever dos administradores encontrar, entre os diversos métodos de realizar uma tarefa, o melhor método e sistematizá-lo.
Taylor faz então uma excelente comparação entre a administração científica e o que ele chama de administração por iniciativa e incentivo. Basicamente, diz Taylor, o principal problema da administração é “obter a melhor iniciativa de cada operário”; mas, como fazer isso? A administração comum nos dias do autor fazia isso oferecendo um incentivo especial. Uma mudança significa que Taylor propõe é a idéia de “tarefa” e chega a declarar que “a administração científica (...) consiste em preparar e fazer executar tarefas”. Esse tema é tão importante que o autor demonstra através de vários exemplos a aplicação do sistema de administração científica do desenvolvimento das mais diversas tarefas.
“Talvez, o resultado mais importante obtido tenha sido o efeito favorável do sistema sobre os trabalhadores”, é a conclusão de Taylor ao mostrar como a administração científica elevou a qualidade do trabalho a novos patamares de qualidade e eficiência. Isso se deve ao fato de que, como diz Taylor, a administração científica envolve uma completa mudança na atitude mental de todos os homens com relação ao seu trabalho e aos seus patrões. Apesar de todos os benefícios conquistados pelos trabalhadores, essa administração contrapõe-se claramente à de “iniciativa e incentivo” porque envolve uma transformação em todos os aspectos da relação de trabalho.
Em todos os exemplos demonstrados por Taylor ele considera a especificidade da tarefa a ser executada e dos personagens envolvidos na tarefa, tanto que declara – ao tratar da aplicação do sistema de administração científica ao ofício de pedreiro listando procedimentos para gerência controlar e sistematizar todas as tarefas – que “tudo isso envolve estudo individual e tratamento particular de cada homem”. A especificidade de Taylor o leva a oferecer ao leitor uma visão completa dos principais elementos da administração científica aplicada às mais diversas situações, como também a analisar os benefícios dos empregados e dos empregadores em cada uma das situações que ele analisa e oferece como exemplo.
Em todos os exemplos de Taylor fica bem claro os princípios fundamentais da administração científica que são: 1) substituição do critério individual do operário por uma ciência – significando que o operário não definirá ele mesmo a maneira de realizar a tarefa; 2) seleção e aperfeiçoamento científico do trabalhador – o que é essencialmente necessário uma vez que este não mais escolhe os processos, a maneira como executa a tarefa, e; 3) cooperação íntima entre a administração e os trabalhadores de modo que façam juntos o trabalho.
Taylor reconhece que alguns elementos envolvidos nos princípios gerais da administração científica precisam ser aprofundados, mas defende que uma informação mesmo imprecisa é bem melhor do que a total ausência de informação presente nos outros modelos de administração ou no empirismo. Taylor também observa que é preciso fazer um estudo cuidadoso “dos motivos que determinam a conduta dos homens” já comentando que, apesar de tratar-se de um organismo muito complexo, existem leis estudos cuidadosamente executados como, por exemplo, a lei que trata do efeito que a idéia da tarefa exerce sobre a eficiência do trabalhador. Sua conclusão acertada é que não há dúvida de que o operário “trabalha com maior satisfação para si e para seu patrão quando lhe é dada todos os dias tarefa definida”.
O autor analisa como outras variáveis (salário, tarefa e gratificação, planejamento do serviço e supervisores) agem sobre o trabalhador e sua importância dentro do sistema de administração científica e analisa a principal crítica à administração científica que é o automatismo do funcionário. A essa crítica Taylor responde usando como exemplo o cirurgião que recebe um treinamento tão sistemático e científico e é intensamente monitorado nos seus primeiros anos de experiência, nem por isso “este método de ensinar” – observa Taylor – “lhe limita o desenvolvimento do espírito”.
Já nos tópicos finais do seu texto, Taylor examina a confusão que normalmente se faz entre os princípios fundamentais da administração científica e seu mecanismo – porque os mecanismos são o resultado práticos da aplicação do sistema num determinado caso; no entanto, a administração científica consiste numa certa filosofia que resulta em uma combinação dos quatro grandes princípios fundamentais: 1) o fator tempo na passagem do antigo para o novo sistema de administração; 2) segurança do sistema de administração científica; 3) distribuição dos benefícios resultantes do sistema de administração científica, e; 4) participação dos consumidores nos benefícios resultantes do sistema de administração científica. Em outras palavras, a administração científica é uma constituição global desses cinco elementos: 1º. Ciência, em lugar do empirismo; 2º. Harmonia, em vez da discórdia; 3º. Cooperação, não individualismo; 4º. Rendimento máximo, em lugar de produção reduzida; e, 5º Desenvolvimento de cada homem, no sentido de alcançar maior eficiência e prosperidade.
ANÁLISE CRÍTICA
Uma excelente atitude do autor foi especificar logo na introdução do livro os três objetivos do seu estudo; isso já orienta o leitor e torna mais eficiente o ato da leitura. O autor também tem a virtude de não ter rodeios ao direcionar seu estudo, incentivar e mostrar como fazer para “substituir a administração empírica pela administração científica”; esse é o objetivo que o autor não perde de vista um só instante e isso é de grande valia. Outro recurso extremamente válido do autor são as questões para responder que ele lança logo no início dos capítulos. Ajuda o leitor a tirar melhor proveito do texto.
O livro é falho na organização, é difícil para o leitor compreender a estrutura do livro antes de lê-lo. Os diversos exemplos poderiam ser organizados numericamente. Os tópicos finais, de tão grande importância, também poderiam ter maior destaque na diagramação do livro.

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